 Bienal Veneza Enxame de Zeppelins Hector Zamora
53ª Bienal de VenezaAos poucos as informações sobre a 53ª Bienal Internacional de Veneza chegam através da BBC, do The New York Times, do Le Monde, do Le Figaro, da Reuters e de outras agências de notícias. De modo geral todas têm um ponto em comum. Esta bienal está mais “magra”, de cinto apertado. Compacta.
Se na bienal passada o curador norte-americano Robert Storr se vangloriava de estar à frente da maior bienal realizada até então, com cerca de 500 artistas, nesta edição o curador sueco, Daniel Birnbaum, 46, o mais jovem até agora, e seu co-curador o alemão Jochen Volz se contentaram com 90 artistas, além das representações de 77 paises. Considerando-se que cada representação é, em média, composta por um ou dois artistas, falemos em 115 artistas. Total 205. Menos da metade da edição anterior. Isso é bom ou mau?
Segundo o diretor do Bard Center for Curatorial Studies, de Annandale-on-Hudson, NY “isso é bom”. Por quê? Porque evita “gigantismos”, “ostentação” “ Isso é uma coisa boa”
Aqui do meu canto irei mais longe, é ótimo. Não tem mais sentido em um mundo que perdeu o rumo econômico, exposições faraônicas e nababescas. Até onde o apertar do cinto italiano servirá de exemplo à documenta de Kassel e a Bienal Internacional de São Paulo, só veremos a partir das próximas edições.
Com 1 milhão e 400 mil dólares a menos do que a anterior, a 53ª não só apertou o cinto como cortou todo patrocínio a projetos artísticos. Nesta bienal coube aos autores, através de patrocínio ou responsabilidade pessoal, arcar com todas os custos. A Bienal expõe. Não financia.
O que levou um artista que não quis se identificar a dizer: "É como ser convidado para uma festa, mas ter de levar a comida e a bebida".
Durante toda organização da 53ª economizzare foi o verbo mais conjugado. Tudo que foi possível cortar, foi cortado. Não poderia ser de outra forma. Afinal a situação econômica da Itália hoje é crítica. Verdadeira espada de Dámocles sobre a cabeça de Berlusconni. Recesão, PIB despencando, desemprego. Seria no mínimo ultrajante, inadmissível uma bienal gigantesca, faraônica, exibicionista. Milionária.
Carol Vogel, em artigo A More Serene Biennale, Uma Bienal Mais Serena, publicado no The New York Times de 8 de junho, um dia após a abertura para o público, informa que o número de celebridades, ricos e famosos diminuiu, como diminuíram também as parties, festas feéricas, coquetéis e recepções. Sinal dos tempos? Claro. A única coisa que aumentou nesta bienal foi o preço do ingresso. Foi de US21,25 para $25,50.
Até 22 de novembro, quando fechar os portões, os $4,25 dólares multiplicados por centena de milhares de ingressos farão grande diferença. A meu ver é assim que se faz uma bienal, com ideias na cabeça, mas os pés fincados no chão. Firmes!
Carlos von Schmidt
Curador e Crítico de Arte
São Paulo, 12 de junho de 2009 20H44
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