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Blindness Mark Rufallo e Julianne Moore
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Penn e Meirelles em Cannes

Desde sua primeira edição em 1946, o Festival de Cannes não tinha na presidência do júri ninguém tão engajado como Sean Penn. Suas ações e denúncias contra a guerra no Iraque, sua viagem a Bagdá para denunciar e atacar as veleidades bélicas de Bush, sua participação pessoal, com água até a cintura, carregando pessoas nos socorros às vitimas do furacão Katrina, em New Orleans, fazem do ator, um personagem único.

Sem papas na língua antes da coletiva de imprensa declarou: “O terremoto na China vai influenciar meu julgamento sobre todos os filmes. O que aconteceu na Birmânia, também”. Na coletiva, fumando sem parar, falou: “É preciso que o diretor ou diretora que concorre à Palma de Ouro se mostre muito consciente do mundo que o cerca”.

Essa consciência o diretor brasileiro Fernando Meirelles tem como a banana da Carmem Miranda, para dar e vender. Cidade de Deus comprova .Não deixou dúvidas. Seu filme Blindness, Ensaio Sobre a Cegueira, baseado no livro homônimo de José Saramago, também mostra isso. O roteiro é de Don Mckellar. A trilha sonora do Uakti.

Tanto no livro como no filme, o vírus da cegueira que grassa mundo afora pode ser interpretado como metáfora de muitos males que assolam o planeta. Guerras, matanças, violência. Ignorância.

Blindness Poster
Blindness Poster

A escolha do filme de Meirelles para abrir o 61º Festival de Cannes indica que Blindness, Cegueira, título muito mais cinematográfico do que o do livro, poderá surpreender. Vi o trailer. É pouco para qualquer comentário. Notícias informam que pesado silêncio se fez após a apresentação à imprensa. Na apresentação da abertura do Festival esse silêncio foi quebrado por cinco minutos de aplausos.

Disputando a Palma de Ouro com Changeling de Clint Eastwood, Che de Steven Soderbergh, Linha de passe, de Walter Salles e Daniela Thomas e outros dezenove filmes, Blindness é vivido por elenco internacional do qual faz parte Julianne Moore,Mark Rufallo, Danny Glover, Gael Garcia Bernal e a brasileira Alice Braga. Do que sei do filme, tem tudo para ser amado ou odiado. Indiferente ninguém vai ficar.

Se você quiser saber mais sobre o filme e os seus bastidores, o blog Blindness de Fernando Meirelles conta tudo. Você vai apreender que por trás das palavras luz, câmera e ação há um mundo sem fim.

São Paulo, 16 de maio de 2008 15H32
Escrito por Carlos von Schmidt


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