 Trabalhos de Sixeart (Espanha), JR (Paris) e do coletivo Faile (Nova York), feitos na fachada da Tate Modern Grafiteiros de São Paulo na Tate
Há três semanas um grafite pintado em um muro na Avenida Rebouças, vizinho da nova André galeria, me chamou a atenção. A qualidade da pintura em preto e branco era digna de museu. Fotográfica. Parei para olhar. Uma das pinturas mostrava um bonde aberto e seus passageiros. Fez-me lembrar dos bondes que pegava no Largo de Pinheiros ou na Teodoro Sampaio, nos anos 40, descendo a Consolação até o Mappin e voltando a Pinheiros.  Trabalho do artista de rua de Paris JR em parede da Tate Modern, em Londres Foto Neno Ramos Havia nas cenas retratadas a mesma sensação de cinema realista italiano que encontro e admiro nas pinturas urbanas de Newton Mesquita. Esse tipo de grafite não tem nada a ver com os que Osgemeos e Nunca, nomes artísticos de Francisco da Silva, 25 anos e dos irmãos Otavio e Gustavo Pandolfo, 34, estão apresentando na fachada da Modern Tate. Aproxima-se mais dos grafites do fotógrafo parisiense JR. Seu grafite na Tate, fotográfico, retrata um jovem negro empunhando e mirando uma metralhadora na direção do espectador. Entre os grafites coloridos de Sixe e de Faile, a metralhadora destaca-se.
A Modern Tate faz parte da Tate Gallery, tradicional museu britânico, aberto em 1897. A Modern abriu suas portas em 2000. Funciona em uma antiga central de energia em North Southwark, à margem do Tâmisa. Os grafites foram pintados em uma semana. Medem 20 metros de altura por 7 de largura. Para pintá-los os grafiteiros foram içados por guindastes em plataformas. Trabalharam amarrados por cintos de segurança. Com o auxílio de ajudantes.  O grafiteiro paulistano Nunca trabalha em desenho na parede externa da Tate Modern, em Londres Os grafiteiros paulistanos dividem a fachada da Modern Tate com outros quatro grafiteiros, Blu, de Bolonha, Itália, o coletivo Faile de New York, Estados Unidos, JR de Paris, França, e Sixeart de Barcelona, Espanha.
Os seis foram convidados a participar da exposição Street Art pelo curador Cedar Lewisohn,autor de Street Art - The Graffiti Revolution, livro sobre a revolução que a arte das ruas, o graffiti vem provocando mundo afora.  Fachada da Tate Modern Foto feita por Neno Ramos Revolução que se pode perceber pela cobertura que as agências de notícias como EFE, Reuters e a BBC deram aos grafites expostos na fachada da Modern Tate, de 23 de maio a 28 de agosto. Cobertura que não costumam dar para exposições tradicionais.
Ao expô-los, a Modern Tate demonstra e reconhece que a arte do aerosol chegou aos museus da Europa. Com quase 30 anos de atraso. Em 1979 o Brooklyn Museum reuniu e expôs grafites de vários grafiteiros de New York.  Pintura de 20 metros de altura da dupla OsGemeos na fachada da Tate Mas, melhor tarde do que nunca. A grande vantagem da Tate sobre a expô de New York é de estar mostrando as obras na fachada. A céu aberto. Dando aos graffiti o lugar que lhes é próprio. O muro. A fachada. Dia 29 de agosto, depois de 67 dias expostos, os grafites terão o destino que têm nas ruas. Serão apagados. Das imagens só ficará a lembrança. E o registro. Histórico. Da fachada da Modern Tate grafitada.
São Paulo 1º de junho de 2008 15H55
Escrito por Carlos von Schmidt
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