 Time Magazine Ingmar Bergman 1960
Gênios ao telefone
Ontem, domingo 12, li na seção Arts do The New York Times, dois artigos, The Man Who Asked Hard Questions, de Woody Allen sobre Ingmar Bergman e The Man Who Set Film Free, de Martin Scorsese, sobre Antonioni.
Os dois famosos diretores simplesmente escreveram sobre o que o italiano de L’Avventura e o sueco de O Sétimo Selo significaram em suas vida e nos filmes que fizeram e ainda fazem.
Allen estava em Oviedo no norte da Espanha filmando, quando uma mensagem gravada foi transmitida para o set. Era de um amigo dele e de Bergman informando sobre a morte. Woody conta que Bergman uma vez lhe disse que não gostaria de morrer em um dia ensolarado.
O sol devia estar forte quando morreu dia 30 de julho. Era verão. Tinha feito 89 anos dia 14. Estava em Färo, Gotland, ilha suéca onde vivia e trabalhava.
Woody e Bergman costumavam manter longos papos por telefone. Eram íntimos. Conta que uma vez Bergman falou de um sonho em que estava com tudo pronto para filmar e não sabia onde colocar a câmera, embora fizesse isso há anos e soubesse fazê-lo muito bem.
 Ingmar Bergman Falou que gostaria de fazer um filme com a câmera fixa. Do começo ao fim. Os atores atuariam entrando e saindo de cena em frente da câmera, parada. Fixa. “Será que as pessoas iriam rir de mim?”, perguntou Bergman.
Woody comenta que não achou a idéia muito boa, mas como se tratava de um gênio pode ser que funcionasse. Afinal, antes dele ninguém tinha conseguido traduzir com à câmera estados psicológicos com tanta precisão e profundidade.  Ingmar Bergman 1960 Admirador inconteste de Bergman, Allen durante anos referiu-se a ele como um gênio. No dia da morte e nos dias seguintes, jornais, revistas e televisões queriam que falasse sobre o cineasta. “Como foi que ele o influenciou”, queriam saber. Respondeu: “ele não poderia ter me influenciado, ele era um gênio e eu não sou e genialidade não se apreende nem sua magia é transferível”.
Continuou dizendo que ”com Bergman aprendi a ética do ofício, a dura disciplina”.
Apreendeu fazer o melhor que lhe era possível fazer sem se deixar empolgar com o papel de diretor. Fazer um filme depois do outro.
Encerra o artigo dizendo que “Bergman fez 60 filmes, eu fiz 38. Pelo menos se eu não conseguir a qualidade dele, talvez eu possa me aproximar da quantidade”.  Ingmar Bergman 2006 Bergman Island documentário Dos artigos que li sobre Bergman, o de Woody foi o que mais me tocou. Pena não poder traduzí-lo na íntegra. Acredito que passei o essencial. Sobre o artigo de Antonioni era minha intenção comentar agora. Não vou fazê-lo. Falarei na próxima vez. Hoje encerro aqui.
O cinema de Bergman e Antonioni fizeram parte significativa da minha vida. Perdê-los é perder um pouco do meu passado. Escrever sobre, não é fácil. Mesmo quando as referências são Woody Allen e Martin Scorsese.
São Paulo 13 de agosto de 2007 13:50
posted by Carlos von Schmidt
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