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Hemingway
Hemingway

Correspondência Íntima de Hemingway e Dietrich

Hoje, quinta, 29 de março, a Biblioteca John F. Kennedy, em Boston, apresentará 30 cartas que Ernest Hemingway escreveu, de 1949 a 1959, para a lendária atriz e cantora alemã Marlene Dietrich. São 25 cartas, sete escritas à mão, quatro telegramas e cartão de Natal.

A correspondência foi doada à Biblioteca em 2003, pela filha de Marlene, Maria Riva. Junto com as cartas foram doadas, também, duas histórias datilografadas, dois poemas e uma primeira versão do romance “Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores”.

Em “37 anos depois...”, artigo que escrevi em 29 de setembro de 2002, prefaciando a primeira edição do artes: na Internet, lançado em 12 de novembro de 2002, falei desse livro e de sua musa inspiradora, Adriana Ivancich, de 18 anos. Conheceu-a em Veneza, em 1948. Será a designer que assinará a capa de The Old Man and the Sea, publicado em 1952 pela Scribner‘s.

 Marlene Dietrich
Marlene Dietrich

Hemingway conheceu Dietrich abordo do Ile de France, em 1934. Usava um smoking emprestado por um amigo da primeira classe. Estava em sua companhia, de penetra, no salão de jantar quando Marlene, cinematograficamente apareceu. Depois do impacto da entrada, supersticiosa, Dietrich não quis sentar-se em uma mesa em que seria a décima terceira.

Ernest, cavalheiresco, ofereceu-se para ser o décimo quarto. Foi assim que se conheceram. Ficaram amigos.

Segundo seu biógrafo-mor, A. E. Hotchner, Ernest e Marlene, nos 27 anos em que foram amigos, jamais foram para a cama. Hemingway confirma. >”.

 Marlene Dietrich
Marlene Dietrich em Expresso de Shangai 1932

Dizia que quando um estava disponível, o outro não estava. Falou que ele e Marlene foram “vitimas de uma paixão assíncrona”.

Há uma foto de ambos no SS Normandie, chegando aos Estados Unidos depois de viajarem do Le Havre a New York, em que o casal parece bem sincronizado.
Se de fato de não dividiram os lençóis, isso não impediu que trocassem confidencias íntimas. Em carta, Hemingway fala da estada em Veneza e de sua vida sexual com Mary Welsh.
Chamava-a de Miss Mary. Foi sua quarta mulher. Para Miss Mary, Hemingway foi o terceiro marido.

Mary, quando Hemingway se matou, na manhã de 2 de julho de 1961, na casa do casal em Ketchun, Idaho, tentou fazer o suicídio passar por acidente. Percebeu em tempo que não conseguiria. Aceitou e divulgou o que realmente aconteceu.
Mas antes, hesitou muito para fazê-lo.
Welsh escreveu uma biografia, How It Was, publicada em 1976, nos Estados Unidos, pela Knopf. No livro, de 635 páginas, conta como foi viver com Hemingway.

 Ernest Hemingway
Ernest Hemingway 1940

Em 1968, sete anos após a morte de Hemingway, Mary Welsh doou à Biblioteca, toda documentação que possuía sobre o escritor. Faz parte da doação as cartas, bilhetes, telegramas e postais escritos para Hemingway por Marlene. 31 cartas e telegramas, escritos entre 1950 e 1961.

Não preciso dizer que as cartas revelam uma grande camaraderie, camaradagem. Algumas frases que li, deixam claro que tanto Ernest como Marlene sentiam grande atração sexual e lamentavam não poder dar vazão à mesma.

 Ernest Hemingway
Ernest Hemingway 1950

A amostra despertou minha curiosidade. Vou tentar ler as cartas na íntegra. Se conseguir, voltarei ao assunto.

São Paulo, 29 de março de 2007 21:46
Posted by Carlos von Schmidt


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