 Molotov nela!
Coquetéis Molotov Contra Nudez
A rispidez e a intolerância belga já foi assunto de Baudelaire. Denunciou ambas em seus escritos após ter vivido em Bruxelas. Este escriba pode verificar, anos atrás, que o poeta e crítico de arte francês estava certo ao passar de trem, de madrugada, pela capital belga. A atitude dos policiais da imigração tinha muito a ver com a de pit bulls ferozes, bravos.
Essa braveza, essa irritação às vezes se manifesta de modo estranho e fora do comum. Na madrugada de domingo passado, 24 para segunda, três coquetéis Molotov foram lançados contra um grande cartaz que anuncia a exposição do famoso e polêmico fotógrafo japonês Nobuyoshi Araki.
 Sadomasoquismo de Araki A mostra reúne 4000 fotos expostas antes em Londres, sem que houvesse protesto e manifestações agressivas de desagrado. Está no Musée de La Photographie de Charleroi, no sul da Bélgica.
O cartaz mostra uma jovem japonesa nua. Usa luvas e meias pretas. O Sexo está coberto por plumas. Não tem nada de obsceno. Pornográfico. Às vezes algumas fotos de Araki ficam no limite de ambos. Nesse caso, não!!!  Freud explica Alguns moradores de Mont-sur-Marchienne, bairro popular onde o museu está instalado há mais de vinte anos, não pensam assim. Os Molotovs e as ameaças ao diretor Xavier Canonne deixaram isso claro.  A japonesa nua que tentaram queimar Nos café, bares e restaurantes o assunto é um só, a japonesa nua. O atentado ao pudor. De quem? De desocupados e aposentados que entre uma partida de dominó ou de dama falam mal da vida alheia.  Nobuyoshi Araki Polêmico e Ousado De noite divertem-se lançando coquetéis Molotov. A agressividade é a mesma com que se lançaram há mais de um século contra As Flores do Mal de Baudelaire. Considerado obsceno e indecente. O tempo passa, mas a burrice humana continua.
São Paulo 28 de setembro de 2006 10H30’ Carlos von Schmidt
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