 Dalí Libertino e Surreal 246 páginas, R$40,00 Editora artes:
Dalí Libertino e Surreal Dalí Libertino e Surreal, de Carlos von Schmidt, está chegando às livrarias a partir de hoje, 4 de julho.
Hoje vários exemplares foram enviados para Robert Descharnes em Paris e para Enric Sabater em Barcelona.
Ambos íntimos de Dalí. Foram seus secretários particulares. Os dois o fotografaram em momentos únicos. Privilegiados.
Suas fotos ilustram Dalí Libertino e Surreal. Dezesseis assinadas por Descharnes. A foto da capa também é sua. Quatro de Sabater. Uma delas inédita. Dos anos 70.
Carlos von Schmidt não sabe quantos artigos escreveu até hoje. Nem quantas críticas de arte. Perdeu a conta.
Jornais criou e editou três. artes: em 1965. Villaboim News em 1994 e Madalena em 1999. A versão virtual de artes: está na internet desde novembro de 2002.
Com todo material já publicado poderia publicar vários livros. Não publicou. Preferiu esperar até sentir que estava pronto para escrever um. Fruto de reflexão. Pesquisa. O momento chegou em março de 96.
Picasso foi o tema. Ao terminar em dezembro, inspirado em Madonna, deu ao livro o nome de Na Cama com Picasso.
Quando escrevia sobre Picasso o fantasma de Dalí sempre estava presente. Voltou com muita força com as comemorações do centenário.
 Robert Descharnes © Port Lligat 1959 Dalí com jasmim e dente de leão
Sabendo que sua amiga francesa Catherine Millet, crítica de arte, editora da Art Press e autora do polêmico A Vida Sexual de Catherine M. estava cogitando em escrever um livro sobre a sexualidade de Dalí, tomou tento. Era 22 de maio. Abriu o computador. Começou a escrever.
Na Internet havia reportagens sobre o casamento de Philippe de Bourbon, príncipe de Astúrias. A data ficou marcada pelas imagens do casamento e pelo cardápio do banquete, pelos vinhos.
Segundo von Schmidt, tudo muito sóbrio, modesto, sem nenhuma ostentação. Inaceitável para qualquer nouveau riche paulistano, paulista ou carioca.
Pragmático, von Schmidt selecionou 22 assuntos que iria abordar. Da infância à vida adulta de Dalí. Isso significava vinte e dois capítulos. Cento e oitenta páginas, não mais. À medida que o livro tomou forma, muitos assuntos foram substituídos. Em dezembro os vinte e dois capítulos estavam prontos. O livro acabado. Pronto para ser diagramado.
Sem dar a mínima para a palavra fim, von Schmidt voltou ao computador e até abril escreveu mais nove capítulos. Mas a seqüência pergunta o leitor? Não há seqüência. Como não se tratava de uma biografia a ordem dos fatores não altera a soma. Nem a cronologia.
Dalí é focalizado desde o jardim de infância até seus dias finais a partir de sua sexualidade. Carlos von Schmidt não biografou Dalí.
 Robert Descharnes© Arquivo Dalí em Es Llané Cadaqués Verão de 1927
Poderia fazê-lo à maneira de Stefan Zweig, de Marguerite Youcenar, que admira muito, mas preferiu ficar mais próximo de Anthony Burgess, que escreveu um livro provocante sobre a vida de Ernest Hemingway, sem necessariamente biografá-lo.
E assim fez. Sua visão de Dalí oscila entre a admiração e a repulsa. Parcial, passional, da mesma maneira que o elogia, castiga-o.
Em nenhum momento é dúbio. Ou está a favor ou está contra. Sem meias palavras, sem eufemismos costumeiros, mostra um Dalí muito além dos famosos bigodes.
Depois de ler Dalí Libertino e Surreal será difícil imaginar o Divino Dalí como era antes da leitura. Tudo que Carlos von Schmidt escreveu não é invencionice. Ficção. Aconteceu! Está documentado. É Dalí nu e cru. Libertino. Surreal.
São Paulo 4 de julho de 2005 10H46 Da Redação
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